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Caminho da Fé |
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Sexta feira, 13/11/2009, 19h00, iniciava nossa viagem com destino à Tambaú-SP. Seguimos, Amauri, Adil, Alexandre e eu. Em Tambaú, pousamos no Hotel Tarzan. Na manhã do sábado o Alexandre retornou com o carro para São Roque-SP e nós iniciamos a pedalada com destino à Aparecida-SP. Até Casa Branca-SP o caminho foi muito bom, single tracks e estradão. No asfalto, pouco antes de um antigo posto de pedágio, ocorreram os primeiros problemas: dois pneus furados por espinhos, um da minha bike e outro da bike do Amauri. Câmaras trocadas, prosseguimos para Vargem Grande do Sul. Havia ouvido ótimos comentários sobre uma pousada que ficava logo após Vargem Grande, comentei com o grupo e resolvemos prolongar a viagem. |
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Telefonamos para a Pousada da Dona Cidinha e avisamos que estávamos a caminho. No início o estradão era tranquilo e podíamos ver uma casinha verde lá no alto da serra. O Amauri, em tom de brincadeira, olhou a casinha e disse que lá era a pousada. Seguimos pelo estradão e a casinha verde, cada vez mais próxima. De repente, após uma igreja e um imenso salão, ambos na cor laranja, veio um paredão de pedras. A subida foi árdua e longa até a pousada. Pela primeira vez encontramo-nos com o empurra bike morro acima e o peso dos alforjes parecia aumentar a cada metro. Após 69,92 km e 04h24 horas de pedal, chegamos à Pousada da Dona Cidinha e, não é que o Amauri tinha razão, a longínqua e alta casinha verde era a pousada. Lá recebemos atendimento VIP, roupas lavadas, uma geladeira que era um verdadeiro oásis com muitos Gatorades, águas e refrigerantes. A janta, um banquete dos deuses, a prosa sem igual, simpatia extrema, à noite 11 cidades eram avistadas da varanda, camas confortáveis, clima agradável e na manhã seguinte um café de deixar saudades. Despedimo-nos dos anfitriões e quando estávamos saindo, pela primeira vez encontramo-nos com o pessoal de Itobi-SP. Eles chegavam e nós saíamos. |
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Domingo, 15/11/2009, iniciamos nossa pedalada com destino à Águas do Prata ou Andradas. Saimos da Pousada Dona Cidinha que fica em Vargem Grande do Sul e partimos para São Roque da Fartura. Neste trecho, uma curiosidade nos chamou a atenção: moramos em São Roque-SP e uma das cidades vizinhas chama-se Vargem Grande Paulista-SP, e, por ironia do destino, entre essas duas cidades também existe uma serra bem alta, mas não tão alta como a que iríamos enfrentar. Pedaladas morro a cima e chegamos, sem a necessidade do empurra bike, à São Roque da Fartura. As pilhas do GPS acabaram e perdi parte do levantamento do percurso. Neste trecho reencontramos o pessoal de Itobi que até aí era formado por 7 ciclistas, porém separamo-nos novamente e partimos para Águas do Prata. |
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Num single track bem radical, o Amauri teve problemas com a corrente que enroscou no cassete e não havia ferramenta para desenroscar. O pessoal de Itobi chegou e, com uma faca, foi possível acertar a corrente. Depois disso seguimos viagem em 10, 3 de São Roque e 7 de Itobi. Na chegada à Águas do Prata um longo dowh hill em meio à pedras trouxe muita emoção e adrenalina. Lá, 3 dos 7 ciclistas de Itobi que não percorreriam o Caminho da Fé retornaram e 1 dos ciclistas de São Roque resolveu desistir da empreitada. O grupo agora era formado por 6 ciclistas e assim permaneceria até o Aparecida. Almoçamos, aproveitamos o tempo para conhecer um pouco da cidade e depois partimos em direção à Andradas. No trecho com muitas subidas, algumas que precisaram do empurra bike. O Amauri teve uma indisposição que só acabou com o início da chuva. Refrigeração à água ? Por falar em água, o Cascata capotou na travessia do rio que passa sobre a estrada e foi muito engraçado. Como a chuva estava aumentando, desviamos o caminho para a Pousada Pico do Gavião. Ao chegarmos, o atendimento foi péssimo e só ficamos por causa de chuva que aumentava, inclusive com granizo. A pousada estava vazia e a pessoa que recebeu-nos disse que não havia vagas por causa de um grupo de estrangeiros que estava a caminho. Mas a chuva era muito forte e ele ofereceu os dormitórios lá de baixo. Sem opção, aceitamos a oferta. Não havia janta e solicitamos pizzas. Quando chegaram, mais uma pérola: ele perguntou-nos se comeríamos com as mãos ou se precisaríamos de pratos e talheres. A pousada é muito bonita, as acomodações são ótimas, o café da manhã é bom, porém não me lembro de ter recebido um atendimento tão ruim nas muitas viagens a serviço ou lazer que já fiz. Sem dúvida, foi o pior atendimento que recebi em toda minha vida. A propósito, o grupo de estrangeiros chegou e não passava de meia dúzia de pessoas. Após as pizzas, boas camas para o merecido repouso. Neste domingo, 2º dia no Caminho da Fé, percorremos 54 km em 04h52 de pedal. |
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Segunda, 16/11/2009, 3º dia no Caminho da Fé. Saímos da Pousada Pico do Gavião com destino à Andradas, Serra dos Limas, Barra. Crisólia e, finalmente, Ouro Fino. Até Andradas, só alegria. Paramos para algumas fotos, comprar pilhas, Gatorade, etc. e re-iniciamos as pedaladas rumo à Serra dos Limas. Chegamos a 1º subida muito difícil, Serra dos Limas, uma subida longa e, para piorar a situação, havia tratores e caminhões trabalhando no local, muita terra e pedras soltas. Foi um empurra bike longo e árduo. Continuamos até a São Pedro da Barra, onde paramos para descanso e almoço. Como não havíamos avisado o almoço foi feito na hora e, enquanto aguardávamos, o pessoal participou de uma animada partida de bilhar, enquanto eu e o Leandro conversávamos com um peregrino que fazia o caminho à pé. |
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Bem preparado fisicamente, praticante de natação e de provas de moto cross, ele caminhava à velocidade de 5 km/h, 6 horas por dia, totalizado 30 km a cada dia. Após o almoço, o tempo estava fechando, parecia que a chuva viria e resolvemos seguir viagem. Mais uma subida até a Cachoeira da Barra. Parada para fotos e reabastecimento de água. Logo após a cachoeira ocorreu um grave problema com minha bike: a haste esquerda do pé-de-vela integrado Shimano Lx soltou-se. Quase caí e fiquei com o pedal pendurado na sapatulha. Deve ter sido muito engraçado, pois meus companheiros riram muito. O Fausto, um dos cilcistas do grupo e ótimo mecânico de bikes, consertou o pé-de-vela e prosseguimos viagem. Pouco depois a haste voltou a soltar e o diagnóstico, aquela altura, era crítico: precisava de uma nova peça. |
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A haste foi novamente colocada e optei por pedalar somente com a perna direita até Crisólia. Foram cerca de 10 km até chegarmos. Não encontramos peças de reposição e, numa oficina de carrocerias, conseguimos um parafuso longo, daqueles vendidos por metro, duas arruelas e duas porcas para uma magnífica gambiarra que permitiu seguirmos até Ouro Fino. A gambiarra funcionava legal, porém havia o risco de bater os tornozelos nas porcas. Em Ouro Fino localizamos uma bicicletaria que tinha um pé-de-vela Alívio que poderia ser colocado na minha bike, porém o mecânico tinha ido embora. Mais uma vez o Fausto salvou o dia e, com autorização do proprietário da bicicletaria, utilizou a oficina e fez um serviço de 1ª qualidade resultando em mudanças de marchas precisas e rápidas. Muito bom serviço. Que sorte a nossa de poder contar com ele. |
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Iniciava um outro problema que só foi sanado em Paraisópolis-MG. A bicicletaria não aceitava cartão de débito/crédito e o dinheiro que tinha ficou para pagamento do pé-de-vela e central. A saída era o Banco 24 Horas, pois não havia Banco Real em Ouro Fino. Depois da janta, encontrei uma agência do Unibanco filiada à rede 24 Horas, porém recebia mensagens de retirada não autorizada na origem. Apesar de contatos telefônicos com oi Real, o problema não foi solucionado. Para piorar a situação, a pousada também não aceitava cartões. O Amauri pagou a minha conta. No dia percorremos 59,19 km em 03h50 de pedal. A pousada era legal e o pessoal atendeu-nos bem. |
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Terça, 17/11/2009, 4º dia no Caminho da Fé. O dia amanhece, o relógio desperta, banho, café da manhã de boa qualidade, preparativos dos alforjes e bikes e partimos para mais um dia. No trajeto, saída de Ouro Fino, passagens por Inconfidentes, Borda da Mata e Tocos do Moji, destino Estiva. No alforje um peso extra --- pé-de-vela integrado Shimano Lx --- e na carteira, nenhum tostão. Fotos da bela igreja de Ouro Fino e pé, digo pneu, na estrada. Depois de pedal agradável e belas paisagens, chegamos à Inconfidentes, onde paramos para carimbar a credencial e fotografar. O peso extra no alforje começava incomodar e resolvi despachá-lo pelos Correios assim que possível. Prosseguimos até Borda da Mata, sempre por estradões bem conservados, subidas pedaláveis e belas paisagens. |
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Procurei uma agência bancária filiada à rede 24 Horas e não encontrei. Nos Correios fui informado que era possível o pagamento com cartão de débito. Imediatamente comprei uma caixa e, além do pé-de-vela, embalei óculos e camisa de ciclista reserva. Na pesagem, 1,5 kg, e custo R$18,60 e, quando fui pagar, mais uma surpresa: só era aceito cartão do BRADESCO. |
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O Amauri pagou mais uma conta minha. Depois, num supermercado, descobri o serviço “Troco fácil” do Visa Electron, e consegui R$100,00. Enquanto isso, os meninos de Itobi compraram uma melancia e a faca, utilizada para soltar a corrente da bike do Amauri, finalmente encontrou sua principal utilidade. Pois é, ela foi levada para cortar melancia. Depois de uma longa parada, carimbo na credencial, café, bananas e melancia, descansados, partimos para Tocos do Moji. No caminho muitas subidas, algumas com necessidade do empurra bike morro acima. Chegamos após o horário do almoço em Tocos do Moji e o jeito foi pão com mortadela e/ou queijo e refrigerante. Descanso, fotos e pneu na estrada. |
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Subidas acentuadas pela frente e empurra bike. Alguns trechos eram tão íngremes que tinham até calçamento com blocos sextavados de concreto. Mais as belas paisagens compensavam e o esforço físico valia a pena. Do alto dos morros era possível ver várias cidades, era tudo muito bonito, céu azul, algumas nuvens claras. Alguns pequenos problemas ocorreram, tais como pneus furados, bomba estragada e corrente quebrada, mas não chegaram a incomodar. No meio do trajeto um dowh hill longo e sensacional num estradão de terra batida com piso muito bom, deixou lembranças. Depois de muitas subidas e descidas chegamos ao nosso destino no dia: Estiva-MG. Foi o dia que passamos mais tempo no pedal, 05h20, e percorremos 70 km. |
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Quarta, 18/11/2009, 5º dia no Caminho da Fé. A Pousada da Poka, com ótimas acomodações, ampla lavanderia, varais para a secagem das roupas, ótimas camas, local trancado para guardar as bikes, enfim tudo de bom para o descanso do peregrino, não servia café da manhã e, por isso, tomamos o café da manhã na padaria que fica no térreo da pousada. Como o preço foi bom, não como pode ser considerado como descrédito para a pousada a falta do café da manhã. Uma enorme vantagem da pousada e da padaria é aceitação de cartões de créditos, aliás isso foi minha salvação, paguei todas despesas com o cartão e recebi dinheiro do pessoal. Após o café o Amauri foi até os Correios proveidenciar transferência de dinheiro e foi bem sucedido. Depois fomos procurar uma bicicletaria para substituir um raio quebrado da bike do Lenadro. |
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Mais uma vez o Fausto foi a salvação, pois a bicicletaria tinha muito serviço e o mecânico não poderia atender-nos imediatamente. O Fausto fez o serviço e iniciamos a viagem rumo à Consolação e Paraisópolis. O início passamos uma passarela sobre a Rodovia Fernão Dias e depois seguimos um estradão de terra batida com bom piso. A mediada que subíamos era possível avistar cidades que pareciam estar às margens da Rodovia Fernão Dias. Como de costume as paisagens eram muito bonitas e compensavam o desgaste físico. Chegamos em Consolação na hora do almoço e, como não havíamos avisado que estávamos à caminho, não havia refeição suficiente para 6 pessoas. A Dona Elza, muito simpática e solícita, foi para o fogão preparar o almoço. Esperamos, descansamos e valeu a pena. |
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A comida estava ótima, tanto que passamos das medidas e precisamos aguardar um bom tempo antes de prosseguir viagem. Deixamos Consolação, rumo à Paraisópolis e, seguindo orientação da Dona Elza, buscamos um caminho alternativo pois havia uma ponte caída no Caminho da Fé. O caminho alternativo estava em obras para pavimentação e havia bastante pessoas trabalhando. Logo chegamos em Paraisópolis. Como previsto, foi um dia tranqüilo e tivemos bastante tempo para descanso. Ficamos na Pousada da Praça, onde fomos muito bem recebidos e as acomodações e serviços de ótima qualidade. Logo cheguei, pedi leite e fui agraciado com dois copos grandes de leite de vaca, da vaca mesmo, sem intermediários, gelados e com nata. Manjar dos deuses. Lembrei-me da infância nas fazendas da região. Sou daquela região, nasci em Itajubá-MG, cidade próxima, e já havia tomado leite de vaca em Paraisópólis na minha infância. |
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| No dia percorremos apenas 42 km e nem me lembrei de verificar o tempo de pedal, antes de zerar o odômetro. | |||
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Quinta, 18/11/2009, 6º dia no Caminho da Fé. Após o ótimo café servido na Pousada da Praça, telefonamos para o Refúgio do Peregrino em Campos do Jordão avisando que chegaríamos à tarde. Fomos atendidos pela Marilda que, já pelo telefone, demonstrou enorme simpatia. Preparamo-nos e partimos para aquele que seria o dia mais difícil, passando por Luminosa e Campista e chegando em Campos do Jordão. Passamos pela entrada da Pousada Casa da Fazenda, porém não entramos e prosseguimos a viagem. Como em quase todo trajeto, o estradão de terra batida estava em ótima condição e as paisagens eram belíssimas. À medida que pedalávamos, as pedras apareciam e as subidas também. Os trechos com empurra bike também se faziam presentes, mas as paisagens, cada vez mais bonitas, nos animavam. |
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Chegamos ao Cantagalo onde paramos para comprar pilhas para o GPS, descansar, consertar coroa pequena da bike do Leandro e refrigerante no pequeno armazém existente. A subida continuou até avistarmos, lá em baixo, Luminosa. Que dowh hill irado. Quase no final uma lombada para causar-nos um susto, mas todos passaram sem acidentes. Escorregamos até Luminosa. Era cedo para o almoço, ligamos para a pousada que ficava 4 km após Luminosa e avisamos que estávamos à caminho para o almoço. Um detalhe interessante: Luminosa foi o único lugar que o celular Vivo, apesar de sinal completo informava “Só Emergência” e só era possível ligação com celulares de outras operadoras. |
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Havia uma padaria que servia ótimos salgados que foram todos consumidos. Seguimos para a pousada e os 2 primeiros quilômetros foram pedalados, porém, depois, iniciou aquele que seria o maior empurra bike da viagem. Gastamos mais ou menos uma hora para percorrer os 4 km, sendo 10 minutos para os dois primeiros e 50 para os outros 2. Valeu a pena. A comida, caseira, estava maravilhosa. Suco natural de laranja e mamão. Doce de leite e de banana. Muito bom. A simpatia e hospitalidade do casal Rennó, não serão esquecidas. Depois do almoço descansamos e prosseguimos viagem. Conseguimos pedalar alguns metros após a pousada, porém logo o empurra bike veio e com força total. O dedo polegar doía de tanto empurrar o guidão e era necessário utilizar a mão espalmada para continuar o levantamento da bike e aqueles alforjes horrorosos e pesados morro acima. |
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De tempos em tempos, vacas trancavam o caminho. Descobrimos que o barulho dos freios afugentavam-nas. Na paisagem, plantações de bananeiras por toda parte. Havia uma pedra enorme que quase não era possível enxergar seu ponto mais alto. Empurra, empurra e, de repente, a mesma pedra podia ser vista de cima para baixo. Um barulho de motor bem próximo surpreendeu-nos: era um helicóptero que estava voando abaixo do nível que estávamos. Em alguns pequenos trechos era possível pedalar, mais na grande maioria empurramos a bike morro acima até ao asfalto. Entramos na pousada para carimbar a credencial, descanso e Coca Cola. Prosseguimos, agora com muitas descidas no asfalto e trechos de subida em terra, porém pedaláveis. Chegamos em Campos ao entardecer e rumamos para o Refúgio dos Peregrinos onde fomos muito, muito bem recebidos pelo casal Edison e Marilda. A simpatia, prosa, cordialidade e hospitalidade fazem do refúgio um local ímpar, sem igual. À noite, uma pequena caminhada até Capivari, 3,5 km na ida e 3,5 na volta. Chegamos exaustos e a cama foi a melhor escolha. Estava encerrado o dia mais difícil de todo percurso e a saudade da peregrinação já começava chegar. Percorremos 60,67 km em 04h41 de pedal. |
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Sexta, 20/11/2009, 7º e último dia no Caminho da Fé. O mais difícil já havia sido cumprido e agora seria só alegria no percurso Campos do Jordão / Aparecida. Levantamos um pouco mais tarde que o habitual e fomos saborear o ótimo café da manhã do Refúgio dos Peregrinos. Magnífico café matinal. Edison e Marilda capricharam em tudo. Mesmo antes de sair já havia saudade. Despedimo-nos e partimos para Aparecida. Em Campos subimos bastante até o Mirante Lajeado, de onde podia-se ver a estrada de Campos bem lá embaixo. Esta foi praticamente a última subida do dia, depois muitos trechos planos e pequenas elevações, tudo asfaltado. Chamou-nos atenção, a longa ciclovia que começou em Pindamonhangaba. Aproveitei o percurso para manter o giro e descansar para a corrida prevista para domingo: “3 Horas de Mountain Bike” em Piedade-SP. |
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No trajeto paramos para beber caldo de cana e água de coco, ambos gelados, uma delícia. O percurso foi tranqüilo, sem novidades e cheio de lembranças. Naquela monotonia de girar em planos asfaltados, recordava as belas paisagens da Serra da Mantiqueira, os morros sem fim, as ótimas refeições, enfim, via um filme virtual como se fosse uma retrospectiva da semana. Em 03h35 de pedal percorremos os 75 km que separam o Refúgio dos Peregrinos em Campos do Jordão, do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida em Aparecida. Nossa peregrinação terminara e, na secretaria da Basílica, fechamos nossas credenciais e recebemos o certificado atestando nossa participação como peregrino no “Caminho da Fé”. |
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Frente à imagem de Nossa Senhora, tentei lembrar-me de todas mensagens recebidas das pessoas que encontramos pelo caminho, além, é claro, das minhas próprias mensagens. Às 16h00 participamos da missa, despedimo-nos dos ciclistas de Itobi-SP --- Valdecir, Fausto, Leandro e Cascata ---, aguardamos a chegada do Alexandre com o carro e retornamos a São Roque-SP. Agradecemos todos aqueles que ajudaram na realização deste sonho, principalmente aos ciclistas de Itobi que estiveram conosco na maior parte do percurso e aos nossos familiares e amigos que apoiaram nossa empreitada. Obrigado Nossa Senhora Aparecida por ter olhado por nós e propiciado uma peregrinação sem qualquer acidente. Muito obrigado. Termino este relato rezando uma Ave Maria e agradecendo a graça de poder cumprir a peregrinação pelo “Caminho da Fé” ... |
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Pessoal, terminada a narrativa de nossa peregrinação pelo Caminho da Fé e agradeço a paciência de todos vocês que acompanharam nosso dia-a-dia e, abusando mais um pouco, apresentarei minha posição pessoal. Há bastante tempo pensava em percorrer o Caminho da Fé, porém ficava apenas no pensamento até que o Amauri enviou-me e-mail citando seu interesse em percorrê-lo. De imediato respondi, me colocando como um dos possíveis integrantes na empreitada. O tempo passou e a materialização do meu sonho foi se realizando. Pensava em documentar todo trajeto, apresentar levantamentos detalhados do percurso, altimetria, medições, distâncias, rampas máximas, tempo empurrando bike, etc. Parti para Tambaú com essas idéias e levando um GPS. Tudo perfeito. Iniciamos as pedaladas e meu pensamento foi mudando. As informações que julgava necessárias já pareciam não ter qualquer valor. O que importava a inclinação de uma subida ? Quantos quilômetros empurrando ? |
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Informações desnecessárias e até incabíveis na peregrinação iniciada. Os pensamentos estavam a mil por hora, filmes de toda minha vida passava pela cabeça. O importante era a atitude de percorrer o Caminho da Fé. Atitude que o Amauri teve ao manifestar o interesse no percurso. Atitude que tivemos quando partirmos para Tambaú. Isso era importante. Muito importante também era a certeza que as dificuldades iriam aumentar no decorrer da peregrinação e que superaríamos todas elas até chegarmos ao nosso destino final: Aparecida. Importante foram as conversas com as pessoas que encontramos no caminho, com os caminhantes, com o pessoal das pousadas que nos acolheram com enorme hospitalidade, importantes foram os ciclistas de Itobi que muito nos ajudaram, importante foi a amizade criada no grupo, importante é a graça de poder cumprir toda peregrinação sem um único acidente, importante é a religiosidade vislumbrada em cada pessoa, em cada pousada, em cada pedaço do percurso, importante é a existência do Caminho da Fé. Terminamos o percurso como um grupo que se conhecia há muito tempo e tenho absoluta certeza que cada um de nós se lembrará dos momentos que dividimos em meio às montanhas e estradões. Qual de nós se esquecerá do tombo do Cascata no riacho ? Dos efeitos colaterais da maltodextrina ? Da caminhada até Capavari ? Da chuva que turbinou o Amauri ? Isso tudo foi muito mais importante que qualquer levantamento plano-altimétrico, entretanto o GPS registrou quase tudo e brevemente disponibilizarei arquivos para download. Meus caros amigos, obrigado ! |
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